O universo da música urbana perdeu um de seus nomes mais influentes. O rapper e DJ Afrika Bambaataa morreu aos 68 anos nesta quinta-feira (9), conforme informou o portal TMZ. Considerado um dos grandes pioneiros do hip-hop, ele teve papel fundamental na construção e consolidação do gênero nas décadas iniciais de sua expansão.

De acordo com a publicação, o artista faleceu durante a madrugada em decorrência de complicações causadas por um câncer.

Nascido no Bronx, em Nova York, no fim dos anos 1950, Bambaataa teve uma juventude marcada por sua ligação com a gangue Black Spades, onde chegou ao posto de “warlord”, uma espécie de líder dentro da organização. No entanto, foi justamente dessa vivência que surgiu sua virada de chave: ele passou a canalizar sua influência para a cultura, ajudando a transformar o cenário das ruas.

A partir dos anos 1970, começou a organizar festas que se tornariam verdadeiros marcos na história do hip-hop. Esses eventos cresceram rapidamente, reunindo DJs, MCs, dançarinos e artistas de rua, e ajudaram a consolidar o movimento como uma força cultural no sul do Bronx.

Seu primeiro lançamento, “Zulu Nation Throwdown”, chegou em 1980, já conectado à Universal Zulu Nation — coletivo fundado por ele que reunia diferentes expressões da cultura hip-hop, como o rap, o breakdance e o grafite, sempre com uma proposta de consciência social.


Dois anos depois, viria o maior marco de sua carreira

Lançada em 1982, “Planet Rock” revolucionou a música ao misturar hip-hop com elementos eletrônicos. Produzida em parceria com Arthur Baker, a faixa utilizou samples de “Trans-Europe Express”, do grupo alemão Kraftwerk, e trouxe uma sonoridade futurista marcada por batidas da icônica bateria eletrônica TR-808 e vocais robotizados.

O sucesso foi imediato: a música alcançou o 4º lugar na parada de R&B dos Estados Unidos e vendeu milhões de cópias. Mais do que um hit, “Planet Rock” abriu caminho para diversos gêneros que surgiriam posteriormente, como o techno, o house e a música eletrônica global.

A influência também chegou com força ao Brasil. A estética sonora da faixa ajudou a moldar o Miami Bass e teve impacto direto na formação do funk carioca. As batidas secas e graves da TR-808 se tornaram base para as famosas “melôs” dos bailes dos anos 1980 e 1990, que mais tarde conquistariam o país.

Em 1985, Bambaataa também participou do projeto “Sun City”, um álbum coletivo contra o apartheid que reuniu grandes nomes da música internacional, reforçando seu engajamento político e social.

Apesar do legado musical inegável, os últimos anos de sua vida foram marcados por controvérsias. Segundo o TMZ, ele enfrentou acusações graves de abuso sexual envolvendo episódios que teriam ocorrido entre as décadas de 1980 e 1990. Em 2025, chegou a ser condenado a pagar um acordo a um dos acusadores, após decisão judicial à revelia.

Afrika Bambaataa deixa um legado complexo, mas incontornável na história da música. Sua contribuição foi decisiva para transformar o hip-hop de um movimento de rua em uma cultura global, influenciando gerações de artistas e estilos ao redor do mundo.